Al-Andaluz – Parte II: A consciência andaluza e a reconquista da cristandade

Na Península Ibérica , o “renascimento cultural” foi algo esplêndido e notável  a partir do desaparecimento político do reino visigodo de Toledo.

Percebe-se uma nova sociedade duplamente dividida, tendo no grupo maior as populações hispano-visigodas, dentre estes: os cristãos, os camponeses de origem pagã ou parcialmente cristianizados, e os judeus praticantes e os judeus batizados no Cristianismo sob forte política visigótica de conversão obrigatória. E num segundo  grupo encontravam-se os invasores muçulmanos de origem árabe, síria, persa, e berbere; estes totalizavam apenas dois por cento da população Ibérica, mas, certamente eram os detentores do poder político e administrativo em Al-Andaluz. Crê-se que é justamente a diversidade do invasor a essência e composição que foi refletida na organização de Al-Andaluz durante o século VIII.

Al-Andaluz conservava regiões inteiras marcadas pelas estruturas de poder, religião e cultura herdadas da cristandade visigótica e romanismo configurando, a partir deste ponto,  uma política de tolerância do califado aos costumes anteriormente vigentes na Península Ibérica, que faz despontar aspectos de civilização sobre a sua nova sociedade.

A centralização político-administrativa e cultural dos árabes trouxera uma metamorfose profunda ao universo artístico, cientifico literário, filosófico e tecnológico à Península Ibérica.

A economia enriquecida através das novas técnicas de agricultura, como a irrigação um incremento  dos  invasores – engenheiros e mecânicos hidráulicos – à Península Ibérica. Essas novas técnicas de cultivo e a introdução de novas lavouras como a de arroz, cana-de-açúcar, tâmaras, frutas cítricas, diversos tipos de verduras, dentre outras, antes obtidos pela população ibéricas através de importações do Oriente, agora eram produzidas e altamente comercializadas pela população andaluza. As conseqüências de um comércio urbano e uma economia agro-exportadora trouxeram riquezas além de  propiciar as trocas culturais em Al-Andaluz.

Historiadores como, Youssef Haym Yerushalmi, Thomas Glick, e Roger Collins, apontam entre os  séculos IX e X, uma verdadeira revolução intelectual em Al-Andaluz sob o Califado de Córdoba. Um fenômeno social chamado de consciência andaluza , foi o ápice cultural que se deu sob um conjunto de reflexões existenciais e metafísicas elaboradas sob influencia do pensamento grego, sobretudo de Aristóteles e da literatura rabínica judaica.

É importante destacar, advindo do oriente persa, os pensamentos do filósofo Avicena (Abu Ali Ibn Sina, 980-1037) e do Ocidente Islâmico o pensador Averróis(1126-1198) natural de Córdoba e responsável pelas principais compilações e comentários sobre a obra de Aristóteles na Península Ibérica. Averróis, a partir da segunda metade do século XII, influenciou profundamente o pensamento judaico e cristão dos andaluzos, pois suas obras eram requisitadas e encomendadas por governantes muçulmanos e cristãos. Para Averróis , Aristóteles era completo e perfeito em seus estudos de lógica, física e metafísica.

Uma cultura irradiada a partir de grandes centros como Córdoba e Toledo, foi muito bem documentada através dos escritos de Al-Hadrami, um escritor que visitava a cidade em pleno século X, nos revela a famosa “ corrida aos livros”. Ele nos relata que estava  num acirrado leilão tentando arrematar e comprar um livro que tinha enorme interesse, quando conversando com seu concorrente à compra, descobriu que em Al-Andaluz, era o livro  um bem intelectual , guardado nas bibliotecas domésticas, um hábito semita presente na população andaluza, mas ,  também algo tido como uma preciosidade de grande valor material. Logo, Al-Hadrami descobriu que o seu oponente havia arrematado o livro porque cria ser o livro um bem, independentemente de seu conteúdo, e também porque lhe serviria em perfeito para completar o “vão” que tinha em uma das prateleiras de sua biblioteca.

A cultura judaica andaluza, também buscou recuperar a filosofia aristotélica, com a fusão dos conhecimentos sobre o universo e sobre a alma. Nas Aljamas – comunidade composta por indivíduos que formavam a religião judaica em territórios muçulmanos e cristãos – era notável os filósofos sefaraditas exercendo diversos papéis sociais como, rabinos, matemáticos, astrônomos e, sobretudo, médicos. Conhecer criação e  criatura divinas e suas expressões terrenas permitiam que a medicina e ciências do corpo fossem exercidas em plenitude.

Judeu de Córdoba,  Hasdai ibn Shaprut foi um médico e diplomata na corte do califa que procurou colaborar para a harmonia entre as relações com os reinos cristãos do norte da Península Ibérica. Como homem de estado viabilizou a instalação da primeira academia talmúdica de Al-Andaluz, trazendo mestres, como Moshe bar Hanokh, da literatura e da filosofa rabínicas da Babilônia, que era núcleo de produção intelectual judaica na Idade Média.

José ben Yehuda ibn Aknin, em sua obra intitulada “Cura das almas doentes” do ano de 1180, discute sobre os principais saberes necessários à educação judaica, dentre estes saberes: Ler e escrever; Torá – termo hebraico para o conjunto dos cinco livros que compõem o cânone denominado Pentateuco, cuja compilação final acredita-se ter sido concluída por volta do século IX a. C –, Mishná – conjunto textual de origem rabínica contendo a gama de discussões orais elaboradas pela intelectualidade religiosa judaica da Judéia romana, entre os séculos I e II d.C.– e gramática hebraica; Poesia; Talmude – conjunto de estudos filosóficos e jurídicos, exegéticos e literários elaborados em academias rabínicas do norte da Palestina e da Babilônia, entre os séculos IV e VI d. C. O Talmude, em suas duas versões, a de Jerusalém(Yerushalmi) e da Babilônia (Bavli) utilizou como base todos os tratados mishnaicos, servindo de grande orientação para as comunidades religiosas judaicas de todo o Oriente e do Mediterrâneo–; Matemática e aritmética; astronomia; ciências naturais e medicina; Lógica; Filosofia; dentre outras.

Não menos notável que os demais, o rabi Moshe ben Maimon, ou Maimônides (1135-1204), era médico, físico , filósofo,  matemático e astrônomo, sendo talvez um dos maiores expoentes da cultura judaica ibérica medieval. Ele nasceu em meio uma ruptura do universo de tolerância de Cordova, onde viveu com sua família. Por várias vezes, ele precisou exilar-se em Fustat (atual Cairo, Egito) quando os almôhadas tomaram a sua cidade natal, submetendo os judeus ao juramento de fidelidade a Allah e as suas leis inscritas no Corão. Talvez por isso, Maimônides tornara-se um critico do uso da religião como instrumento de opressão, de violência e de dominação sobre os povos, de um modo geral. É sabido de suas cartas dirigidas aos judeus iemenitas e franceses, onde ele cita exemplos históricos de todos os governantes que um dia fizeram uso desse tipo de violência contra os descendentes de Israel e, segundo  ele, nenhum destes opressores conseguiu se perpetuar no poder. Mas, a riqueza de sua obra consistia em sua  indagação conjunta a  metafísica e preocupação com a saúde física e espiritual; produziu vasta literatura epistolar, na qual oferecia orientação, assistência religiosa e social a diversas comunidades judaicas do Oriente, como as de Lêmin , e da Europa Ocidental , como as de Marselha e Toulouse.

O califado de Córdoba é invadido por tribos como os almorávidas , e posteriormente, almôhadas, ambas tribos radicais vindas do norte africano, a partir de então, a fragmentação do califado de Córdoba  percebe-se no surgimento de vários reinos, as taifas. Essas tribos passam a perseguir e obrigar os dhimmis , os protegidos pelos muçulmanos, a conversão obrigatória a Allah e ao Corão. Pressionados , os dhimmis, a partir de então, passam a buscar refugio nos reinos cristãos do  norte da Península como, Aragão, Castela e Leão, ou regiões de domínio muçulmano como o Império Parto (persa), o Egito (califado fatímida) ou Marrocos.

Diante da fragmentação do califado, os reinos cristãos do norte da península reforçam seu sonho de reconquista da cristandade na Península Ibérica, e no século XI, inicia-se  a “Marca Hispânica”um projeto político-religioso de “reconquista”, pela retomada dos exércitos cristãos nas regiões setentrionais e  nordeste da Península. Esse projeto veio concluir-se no século XV, em 1492, com a tomada da última taifa ibérica, o reino de Granada, com a instauração de políticas de conversão obrigatória  de todos os invasores ao cristianismo, ou da expulsão aos contrários a esta conversão religiosa. Todos os muçulmanos deveriam ser banidos da Espanha dos Reis Católicos.

Os Cristãos do norte espanhol era uma sociedade de fronteira, sob instabilidade habitacional e mobilidade das condições de vida. Mesmo que depois da definição das políticas nas terras ocupadas pelos reinos cristãos, as fronteiras também compunham área de movimento migratório, fossem de soldados, ou homens livres, ou camponeses ou religiosos peregrinos, todos rumavam ao centro-sul da Península Ibérica.

Segundo Jacques Le Goff , em sua obra “A civilização do Ocidente medieval: a Dinâmica e inconfundível capacidade de mobilidade” : Havia a movimentação de homens por nada ou por muito pouco terem. Estes  homens estavam sempre indo para algum lugar, como peregrinos. Todas as camadas sociais se movimentavam, assim, os cavaleiros em busca de  prestigio e butim na guerra; os camponeses, a procura de novas terras para cultivo e melhores condições de vida; mercadores, novas cidades para estabelecerem novos negócios; clérigos e monges, em busca de novas almas para serem convertidas; os sábios, a procura de novos conhecimentos. A mobilidade na Península Ibérica, numa óptica espacial, cultural e social culminou em problemas de repovoamento, colonização, rejeição e novos confrontos.

Al-Andaluz – Parte I

Cordoba Mapa Granada

Idade Média
“ AL – Andaluz ou AL-Andalus”

A Península Ibérica para os árabes: Al-Andaluz

A Idade Média é um tema que muito me agrada, dentre outros temas  no vasto campo de estudo da História e humanidades. Hoje, decidi explicitar um pouco sobre a “alta idade média”, em especifico, na Península Ibérica, que acho muito interessante por se tratar do berço da língua lusófona, afinal, é onde se encontra Portugal e, certamente Espanha.

Neste primeiro momento, quero dizer sobre , inicialmente, como aconteceu Al-Andaluz.

É sabido, segundo Le Goff, brilhante pesquisador dos povos medievais, que os “visigodos” ou  visigóticos ao se dispersarem das terras circundantes de Roma, após o declínio do Antigo Império Romano, seguiram para a Península Ibérica e lá se instalaram por um longo tempo, algo em torno de poucos séculos, até que em 711, um árabe “Tariq ibn Ziyad”(Gibraltar, de Jabal al Tariq, “a montanha de Tariq) – fazendo valia da tradição militar omíada desde finais do século VII, sob apoio de Musa ibn Nussayr, em Ifriqiya (Tânger- Magreb) ­­– uma província do império dos Omíadas , que corresponde à Tunísia–que tinha pretensões  políticas para todo Oriente Médio e Mediterrâneo nas regiões do  nordeste da Península Ibérica “Galias narbonenses”, nos domínios merovíngios – francos que adotaram cabelos longos para se diferenciarem dos romanos antigos com seus cabelos curtos – “ Tolosa, atual Tolouse”, Avignon, Arles e Poitiers”  – , vem  com seu exército de homens da persa, síria e berbere,  derrota  o rei visigodo Rodrigo.

Havia uma forte fragmentação de poder no reino visigodo, e os inimigos do rei, reconhecendo-o ilegítimo ao trono, solicitaram ajuda aos árabes para derrotar o monarca Rodrigo e ascender seu líder, Áquila, ao trono. Também existiam no reino visigodo muitos pagãos e judeus que eram perseguidos pelo rei visigodo que desejava converter-los ,a qualquer custo, ao Cristianismo.

Após os cercos militares de Tariq, a Espanha visigoda sucumbiu ao invasor e atestou o domínio árabe por meio de assinaturas de diversos tratados de rendição firmados por membros da antiga nobreza territorial visigoda, conselhos citadinos e, ocasionalmente , pelos próprios habitantes das cidades conquistadas. Esses documentos de rendição também traziam os novos compromissos jurídicos, políticos e fiscais das poluções de maioria moçárabe – ou “musta´rib”, termo usado  para designar os cristãos que habitavam terras de domínio muçulmano. Os moçárabes eram considerados arabizados, mas não  islamizados, em relação a seus novos senhores.

O mosaico social estabelecido na Península Ibérica a partir do século VIII, apresentava-se sob forma de grupos sociais, identificados por suas condições religiosas e espaços de ocupação: Os moçarabes, os muladis ou muwalladun (Cristão que abandonava o cristianismo, convertia-se ao Islã e vivia entre muçulmanos; Filho de um casamento misto cristão-muçulmano e de religião muçulmana; ou população de origem hispano-romana e visigótica que adotou a religião, a língua e os costumes do Islã para desfrutar dos mesmos direitos que os muçulmanos em Al-Andaluz); Mudejáres (habitantes muçulmanos convertidos ao cristianismo que habitavam territórios cristãos).

Os moçárabes e seus bens e propriedades eram protegidos de possíveis hostilidades advindas de povos de fronteira, dentre eles os berberes, através do estatuto social e jurídico árabe denominado “dhimmi”, assim, os moçárabes deveriam acatar a carga tributária chamada  “djizya” e outras cobranças de impostos locais para validar a “dhimmi”, ou seja, os direitos públicos e privados eram concedido aos moçárabes mediante a troca de compromisso por pagamento de imposto especial.

Os berberesmuladis”, também conversos ou descendentes de conversos ao islã, vistos sob condição social inferior– povo de origem do norte da África recrutado pelos árabes, entre os anos de 705 e 708, para compor as primeiras fileiras de guerra na invasão da Península Ibérica, entretanto, viviam insatisfeitos com a nova vida que levavam em terras européias, pois os  árabes os inferiorizavam por considerá-los fracamente islamizados, por isso, os governadores árabes , os “wali” , “omíadas”  de “Al-Andaluz” , sob ordens vindas de Damasco,  impuseram-lhes viver nas terras de fronteira montanhosa ( segundo Adele Ruquoi, 1995) ao sul, cordilheira Betica, ao norte, Galiza Meridional e na Bacia do Douro, ambas regiões de terra  pouco produtiva e bem distantes de cidades, centros de ocupação árabe,   como Servilha, Toledo, Córdova e Granada. Os berberes viviam  sob  condições marginais e de pobreza, por isso, logo começaram a pilhar e atacar as boas terras do “povo do livro”.

Outro pacto importante , que os árabes impuseram aos moçárabes, foi o  “Pacto de Omar” , ao final do século VIII, que  nos mostra a possibilidade de cristãos e judeus preservarem suas instituições religiosas, identidade e leis bases administrativas – lembrando que a estrutura das Igrejas  visigodas não foi alterada pela presença árabe. Assim, muitas dioceses mantiveram bens matérias e propriedades fundiárias, chegando a obter permissão de usufruto de bens e finanças do derrotado Reino visigodo – , porém, em contra partida,  estes povos conquistados estavam terminantemente proibidos de exercerem o proselitismo religioso, ou seja, tentar converter um muçulmano a religião de Israel. O Pacto de Omar (segundo Tritton apud Mantran, 1997) deixava bem claro os níveis de comportamento admitidos ou rejeitados pelo poder muçulmano na Península Ibérica sob risco de penalidades.

Globalização

O cidadão norte-americano

Ralph Linton, antropólogo

“O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos estes materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso de ‘mocassins’ que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir do antigo Egito.

(…) De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália Medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria-prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. (…)

Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o o fato de ser cem por cento americano.

belo e Belo

estep

Ego qui sum servus vester et fillus

Ao que posso ver ou ter pretendido

Notar-me ao ornado e polido

Seguir além das estepes

o perfume de seu ébrio e fino  vinho…

A vestal

vestale

Seus pés desnudos
ao deleite destes olhares não mudos
abjurado ofício sob sussurros …

Ingênua, não vela o corpo, as chamas?
Ganir, sísmico e abalado
nítido e profano, ao vê-la inflama.

Cores quentes e afagos noturnos.
Seu tremular o vento reclama…
Flâmula suas vestes, stola ou toga, não queima

o fogo que tem o Senhor lhe toma as seivas
Em êxtase, grita, a carne permeia, estremece
Fulgor revela alva face de Vestal sob amor adormece.

As correntes historiográficas que estudaram o declínio e queda de Roma

Os conceitos de declínio e queda do Império Romano, vêm nos mostrar a importância do conhecer e saber comparar um momento ao outro que estão incutidos nos períodos da História. Esses conceitos são frutos de uma reconstituição do que sabemos a partir da ampliação dos conhecimentos atuais criando novas interpretações sobre o passado. A variedade dos conceitos a respeito do declínio e queda de Roma consiste de que ao reconstituir coisas que antes não estiveram constituídas como tal, os historiadores , com formação específica e tendo vivido em épocas diferentes uns dos outros , formularam imagens retrospectivas a respeito de um fato ocorrido em tempos longínquos.

Roma aplicou ao mundo ocidental uma influência em parte instintiva e inconsciente para depois, no decorrer dos tempos, uma nova influência consciente e intelectual, portanto, o mundo ocidental também é um legado de Roma e nos é de extrema importância comparar o modelo de colapso romano a outras realidades ocorridas em períodos históricos diferentes.

O conjunto de informações e vestígios do passado sob um método de análise e uma teoria de estudos nos dá a compreensão necessária para entendermos os acontecimentos do passado.

A prosperidade romana:

Segundo Léon Homo (1941), a época de bem estar e grandeza para os romanos ocorrera durante a dinastia dos imperadores antoninos, entre os anos 96 e 192 dC.

Pela urbanização, arquitetura, sistema de esgoto, construção de pontes. ( Balsdon 1968).

Criação de sistemas administrativos, estrutura jurídica que atendeu as necessidades de homens e mulheres de diversas línguas, antecedentes étnicos e tradições culturais. Porém, foi a perda gradativa do elevado padrão de vida, a partir do século II d.C, resultou que a civilização romana entrasse em declínio muito antes de ficar em perigo de cair. Esse período de declínio perdurou do século III ao V dC. (Ferril, 1989)

A queda do Império Romano:

Dominato, período da história romana entre os séculos III e V dC, que é também as raízes romanas da Idade Media. Nesse período houve a ausência de regras para a sucessão dos imperadores como um fator de desequilíbrio do poder ao final do império. Entretanto, desde o inicio do Império Romano, com o principado de Augusto, tais regras não existiam.

Segundo a corrente marxista, o declínio romano ocorrera a partir da transição do modo de produção antigo para o feudal, onde a mão de obra escrava passa ser servil, entre os séculos III e V d.C, determinando o fim do sistema econômico antigo.

Os liberais apontam a dependência e fragilidade da economia romana frente as suas províncias como causa determinante de sua queda. Produção econômica itálica não era capaz de atender a demanda imperial, ocorrendo a perda do controle econômico de territórios e provínciais para tribos germânicas que foram incorporadas a economia imperial romana a partir da segunda e terceira geração de migrantes.

A partir do cristianismo fora introduzida na sociedade romana uma cultura de resignação, pacifismo e humildade. A religião cristã fora incorporada no século IV d.C como religião oficial do estado romano.O exército romano antes ofensivo se torna defensivo pela incorporação de bárbaros ao exército. Os soldados abandonam a cultura da arte da guerra ,valor ancestral e constitutivo da romanidade.

Principais características das 3 fases do conceito de Idade Média:

1ª fase – Séculos XVI – XVIII
Durante a motivação cultural do Renascimento e Humanismo do século XVI, os intelectuais e protestante deste período desenganaram a Idade Média como sendo “Idade das Trevas” por inúmeros fatores ocorridos neste período , ao seu modo de ver, como: O atraso para o desenvolvimento do homem e da ciência; que neste período ocorrera a vulgarização do latim pelas barbáries culturais na Europa; que a literatura produzida neste período fora explicitas alterações dos originais clássicos dos gregos Platão e Aristóteles, e dos romanos Tito Lívio e Cícero. Portanto, para os intelectuais do século XVI, a Cultura Clássica deveria ser resgatada e erguida sem a influência dos intelectuais medievais que não haviam compreendido de fato os clássicos.
Para os protestantes intelectuais, a Idade Média foi de trevas religiosas impostas pela Igreja Católica que poluíra a essência verdadeira do cristianismo, e também de atrasos econômicos. Os protestantes também relegaram outras culturas (a cultura judaica, e a cultura islâmica) ou outras formas de cristianismo (Cristianismo Ortodoxo do Império Bizantino) e as várias heresias medievais.
No século XVIII, filósofos como Voltaire e Montesquieu, criticavam o feudalismo (dependente de terra e trabalho camponês) presentes no período medieval, e a mentalidade vigente na Idade Média que foram responsáveis pelo atraso do conhecimento e progresso no mundo, portanto, não lhes interessava o Império Bizantino e Árabe, nem mencionavam o forte comércio de Constantinopla , ou mesmo a existência de uma indústria urbana atuante, ou os avanços da medicina, da farmácia , da botânica desenvolvidos pelos estudiosos árabes e judeus no Oriente Médio e Península Ibérica (Averrois, Avicena e Maimônides) nos séculos XI e XIII.

2ª fase – Século XIX
No século XIX ocorreu a “Recuperação” do significado da Idade Média que passa a ser entendida como o “grande berço dos povos europeus”, uma vez que os idiomas e identidades culturais teriam nascido neste período.
No romantismo Europeu a Idade Média é entendida heróica por seus reis fortes e uma sociedade disciplinada pela autoridade religiosa, fatos que vieram influenciar o pensamento do homem do século XIX a alimentar sentimentos nacionalistas em certezas políticas para a reconstrução de Estados Nações.

3ª fase – Século XX, dividida em:
3.1- As visões idealizadas do passado medieval
No século XX, os reis do período medieval como Carlos Magno, Felipe IV, Frederico II, e a mulher guerreira Joana D´arc, são inspiração e profundamente apreciados pelos governantes e estadistas distribuídos por toda a Europa. O próprio Hitler era apreciador  e dizia  descender-se  de Frederico II.

3.2 – A contribuição da Escola dos Annales:
A recuperação dos estudos medievais ocorre no século XX com os estudiosos da escola de Annales que passam a rever de uma forma bem analítica os temas, documentos e a própria cronologia tradicional usada no século XVIII.
Segundo os historiadores Georges Duby, Jacques Le Goff, e Jean Delumeau, a reescrita histórica medieval passa ser voltada para arte, a arquitetura, os comportamentos, as ralações familiares, as vestimentas, os costumes diversos, a mentalidade , as crenças e comportamentos sociais do homem medieval. A reescrita medieval passa ser analisada através de diálogos entre as diversas áreas do conhecimento como a antropologia, a psicologia, a geografia e a sociologia. Portanto, o saber fazer uso de diversos tipos de documentos como códigos de direito civil, os cânones, as correspondências eclesiásticas, os tratados médicos sobre doenças e saúdes, as imagens sacras, a vida dos santos (hagiografia), os túmulos , as edificações, as residências de camponeses etc.

Camoniana

maos

Não anacrônico e voraz ardor
Na pele o teimoso queimar
De um fogo que não se vê, amor
Proferiu o poeta, eis meu acalentar

Pandora, Anne Rice

Eu li “Pandora”de Anne Rice, e o que foi a mulher, filha mimada, esposa de três maridos, estéril, amante da poesia de Ovídeo, e das filosofias dos gregos, do repúdio ao pão e circo – de roma-, apaixonada pela cultura e crenças egípcias, amante de Marius. Simplesmente, amei. Agora, vou ler o “Sangue e ouro”, porque, como será reencontrar um amor milenar, Marius x Pandora.

Vittorio, O Vampiro – Anne Rice


Bom, hoje, finalmente, eu terminei de ler o livro “Vittorio, O Vampiro” da autora americana Anne Rice. Este é o quinto livro que leio de Rice e, mais uma vez, eu me surpreendo com a forma que ela narra o romance e seus personagens “na Florença de Ouro, Renascentista”! Bárbaro! Pretendo ler os demais títulos de sua autoria!
Anne Rice é sinônimo de sensibilidade e maestria pela precisão de dados épicos que descreve fielmente uma época no enredo de suas história!

Títulos que eu li e amei:
“Chore para o céu”(1982)
Seguindo a história de dois homens, castrados para conservar suas vozes soprano, Chore para o Céu é uma novela histórica que se passa na Itália do século XVIII. Guido Maffeo é castrado aos seis anos de idade e entra para um conservatório. Ele transforma-se numa estrela até perder sua voz. Após perder a voz ele torna-se um professor, procurando por um garoto que possa completar seu sonho perdido. Então Guido vai a Venice, onde encontra Tonio Treshi.

Bom, claro que fiquei encantada com a descrição de Veneza e Toscana do século XVI Barroco e mais, a sensibilidade no drama de seus protagonistas, que me levou a uma profunda reflexão sobre amor, preconceito, perdão,luxuria e ódio substantivos, excessivamente, humanos!

Crônicas Vampirescas:
“Entrevista com vampiro” (1978)
Essa é a história de Louis, como dito por ele mesmo, de sua jornada através do mundo mortal e imortal. Louis reconta como ele se transformou em um vampiro nas mãos do sinistro e radiante Lestat e como, relutante, ele foi ensinado a viver sua vida nas trevas. Sua história é contada através das ruas de New Orleans, definindo momentos cruciais, como a descoberta da esquisita jovem criança perdida Claudia querendo não machucá-la, mas confortá-la com os últimos sopros de humanidade que ainda habitam sua alma.

Claro, fiquei meio boba enquanto lia este romance, mas, mais ainda, depois, quando soube de Anne ter escrito, em uma semana, este romance, após ter perdido sua filha à leucemia.

“Pandora”(1998)
Anne Rice, criadora do vampiro Lestat, das bruxas Mayfair e dos maravilhosos mundo no qual eles habitam, agora nos dá o primeiro livro de uma nova série de obras ligadas ao neófito David Talbot. David que agora tornou-se o cronista do seu companheiro imortal.
A “novela” começa em Paris do nosso presente, num café repleto de pessoas , onde David encontra Pandora. Ela tem dois mil anos de idade, uma criança do milênio, a primeira vampira abraçada pelo grande Marius. David consegue persuadí-la a contar a história de sua vida.

Claro, fiquei maravilhada com Pandora, encantadora, culta, bela e forte. E a narração de sua existência na Roma Clássica do triste “pão e circo”, e da exuberante Antioquia, Turquia! Belíssimo!

“Marverick”(2000)
Exatamente quando você pensou que era seguro um sugador de sangue sair das sombras em New Orleans, juntamente apareceu Merrick Mayfair, belo octorron cujo voodoo pode transformar o mais durão dos vampiros em uma marionete dançando com ela num compasso assustador. Em Merrick, Anne Rice traz de volta três de suas mais selvagens personagens: o vampiro Lestat, Louis e a vampira-criança Claudia, e os transportam para o mundo das Bruxas Mayfair.

Interessante a forma que ela descreve a supersticiosa Nova Orleans, Sul dos Estados Unidos, aliás, a sua terra natal. Nova Orleans, América do Sul, Brasil e Londres!

“Vittorio, o vampiro”(1999)
O livro Pandora, Anne Rice começa uma nova série magnífica de obras vampíricas. Agora, no segundo de seus Novos Contos dos Vampiros, ela nos mostra a cativante história de Vittorio, um vampiro nos anos dourados da Itália.
Educado em Florença de Cosimo de Medici, treinado nas artes guerreiras no topo do castelo de seu pai, Vittorio habita um mundo de esplendor cortês e de prazeres urbanos – um mundo que, repentinamente, é ameaçado, quando toda sua família é confrontada por uma força maldita. No meio desse confronto, Vittorio é seduzido pela vampira Ursula, a mais linda inimiga sobrenatural dele.

Vittorio, eu me apaixonei por esse milorde tão “corajoso, nobre, crente e apaixonado”, e claro, por sua doce Ursula ,Toscana e a belíssima Florença (de Michelangelo e Fra Fillippo Lippi).
Vittorio, é um jovem cavaleiro medieval preparado para cuidar de sua família e propriedade e viveu no período da História da Baixa Idade Média e pré-renascentismo, porque ele já começa ter contato com os artista de Florença, aliás, ele gosta muito das letras e tem forte simpatia pela arte. Mas, distante de ser um moderno, Vittorio é apegado aos dogmas da igreja e é tão ingenuo, não que entre os modernos não houvesse ingenuos e religiosos, mas esta característica é marca medieval, portanto, Vittório é mesmo um Vampiro Medieval.

Créditos:
Biblioteca Municipal de Barra Mansa, Volta Redonda, Resende e Unirio.
Democratizando a leitura-Portal detonando- e-books (livros eletrônicos):
http://www.portaldetonando.com.br/forumnovo/viewtopic.php?p=7477
Indicação e sinopses dos livros:
http://intervox.nce.ufrj.br/~jobis/anlivros.html

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