Principais características das 3 fases do conceito de Idade Média:

1ª fase – Séculos XVI – XVIII
Durante a motivação cultural do Renascimento e Humanismo do século XVI, os intelectuais e protestante deste período desenganaram a Idade Média como sendo “Idade das Trevas” por inúmeros fatores ocorridos neste período , ao seu modo de ver, como: O atraso para o desenvolvimento do homem e da ciência; que neste período ocorrera a vulgarização do latim pelas barbáries culturais na Europa; que a literatura produzida neste período fora explicitas alterações dos originais clássicos dos gregos Platão e Aristóteles, e dos romanos Tito Lívio e Cícero. Portanto, para os intelectuais do século XVI, a Cultura Clássica deveria ser resgatada e erguida sem a influência dos intelectuais medievais que não haviam compreendido de fato os clássicos.
Para os protestantes intelectuais, a Idade Média foi de trevas religiosas impostas pela Igreja Católica que poluíra a essência verdadeira do cristianismo, e também de atrasos econômicos. Os protestantes também relegaram outras culturas (a cultura judaica, e a cultura islâmica) ou outras formas de cristianismo (Cristianismo Ortodoxo do Império Bizantino) e as várias heresias medievais.
No século XVIII, filósofos como Voltaire e Montesquieu, criticavam o feudalismo (dependente de terra e trabalho camponês) presentes no período medieval, e a mentalidade vigente na Idade Média que foram responsáveis pelo atraso do conhecimento e progresso no mundo, portanto, não lhes interessava o Império Bizantino e Árabe, nem mencionavam o forte comércio de Constantinopla , ou mesmo a existência de uma indústria urbana atuante, ou os avanços da medicina, da farmácia , da botânica desenvolvidos pelos estudiosos árabes e judeus no Oriente Médio e Península Ibérica (Averrois, Avicena e Maimônides) nos séculos XI e XIII.

2ª fase – Século XIX
No século XIX ocorreu a “Recuperação” do significado da Idade Média que passa a ser entendida como o “grande berço dos povos europeus”, uma vez que os idiomas e identidades culturais teriam nascido neste período.
No romantismo Europeu a Idade Média é entendida heróica por seus reis fortes e uma sociedade disciplinada pela autoridade religiosa, fatos que vieram influenciar o pensamento do homem do século XIX a alimentar sentimentos nacionalistas em certezas políticas para a reconstrução de Estados Nações.

3ª fase – Século XX, dividida em:
3.1- As visões idealizadas do passado medieval
No século XX, os reis do período medieval como Carlos Magno, Felipe IV, Frederico II, e a mulher guerreira Joana D´arc, são inspiração e profundamente apreciados pelos governantes e estadistas distribuídos por toda a Europa. O próprio Hitler era apreciador  e dizia  descender-se  de Frederico II.

3.2 – A contribuição da Escola dos Annales:
A recuperação dos estudos medievais ocorre no século XX com os estudiosos da escola de Annales que passam a rever de uma forma bem analítica os temas, documentos e a própria cronologia tradicional usada no século XVIII.
Segundo os historiadores Georges Duby, Jacques Le Goff, e Jean Delumeau, a reescrita histórica medieval passa ser voltada para arte, a arquitetura, os comportamentos, as ralações familiares, as vestimentas, os costumes diversos, a mentalidade , as crenças e comportamentos sociais do homem medieval. A reescrita medieval passa ser analisada através de diálogos entre as diversas áreas do conhecimento como a antropologia, a psicologia, a geografia e a sociologia. Portanto, o saber fazer uso de diversos tipos de documentos como códigos de direito civil, os cânones, as correspondências eclesiásticas, os tratados médicos sobre doenças e saúdes, as imagens sacras, a vida dos santos (hagiografia), os túmulos , as edificações, as residências de camponeses etc.

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Comentários

  • Rafael  On outubro 21, 2009 at 08:42

    Legal teu post. Apesar de muitos chamarem de idade das trevas, a Idade Média produziu muita coisa boa. Dá uma lida no meu post em http://fantasticocenario.wordpress.com/2009/10/20/idade-media-guildas-igreja-alma-e-marx/

  • Rafael  On novembro 20, 2009 at 09:24

    Oi Michela,
    que bom que gostaste do http://www.fantasticocenario.wordpress.com. Obrigado pelo elogio. Recomendo a leitura de La Cité Antique, de Fustel de Coulanges para saber mais sobre os atos fúnebres na Antiguidade. Realmente, como disseste lá no meu blog, havia as “estelas tumulares” e Pompéia não apresentava tal costume, por ser uma cidade muito “moderna” para a época, com passagem de muitos comerciantes, muitas vezes com outros costumes, que agregavam e integravam o costume local.
    Porém, na obra de Eurípedes, Helena, diz que cada família tinha seu túmulo, onde se celebravam as cerimônias e se festejavam os aniversários. Em tempos muito antigos, o túmulo estava no próprio seio da família, no centro da casa, não longe da porta, “a fim de que – refere um antigo – os filhos tanto ao entrar como ao sair de sua casa, encontrem sempre a seus pais, e, de que cada vez que o façam, lhes dirijam uma invocação” (EURÍPEDES, Helena). Toda essa religião se limita ao interior de cada casa. O culto não era público. Antes, pelo contrário, “todas as cerimônias se cumpriam somente no seio da família” (ISEU, De Cironis hereditate). O local onde os familiares eram enterrados, chamado hérkos, era longe de olhares profanos. Nas poesias de Cícero o hérkos é muito citado, bem como nos textos de Sófocles.
    Espero ter ajudado. E parabéns pelas tuas colocações no teu blog!
    Abraço!

  • Tiago Oboísta  On janeiro 20, 2010 at 16:32

    Poxa, super interessante *-*
    É fantástico todo o conhecimento que se pode conseguir estudando a idade média !!
    Excelente trabalho !!
    Bravo!!

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