Al-Andaluz – Parte I

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Idade Média
“ AL – Andaluz ou AL-Andalus”

A Península Ibérica para os árabes: Al-Andaluz

A Idade Média é um tema que muito me agrada, dentre outros temas  no vasto campo de estudo da História e humanidades. Hoje, decidi explicitar um pouco sobre a “alta idade média”, em especifico, na Península Ibérica, que acho muito interessante por se tratar do berço da língua lusófona, afinal, é onde se encontra Portugal e, certamente Espanha.

Neste primeiro momento, quero dizer sobre , inicialmente, como aconteceu Al-Andaluz.

É sabido, segundo Le Goff, brilhante pesquisador dos povos medievais, que os “visigodos” ou  visigóticos ao se dispersarem das terras circundantes de Roma, após o declínio do Antigo Império Romano, seguiram para a Península Ibérica e lá se instalaram por um longo tempo, algo em torno de poucos séculos, até que em 711, um árabe “Tariq ibn Ziyad”(Gibraltar, de Jabal al Tariq, “a montanha de Tariq) – fazendo valia da tradição militar omíada desde finais do século VII, sob apoio de Musa ibn Nussayr, em Ifriqiya (Tânger- Magreb) ­­– uma província do império dos Omíadas , que corresponde à Tunísia–que tinha pretensões  políticas para todo Oriente Médio e Mediterrâneo nas regiões do  nordeste da Península Ibérica “Galias narbonenses”, nos domínios merovíngios – francos que adotaram cabelos longos para se diferenciarem dos romanos antigos com seus cabelos curtos – “ Tolosa, atual Tolouse”, Avignon, Arles e Poitiers”  – , vem  com seu exército de homens da persa, síria e berbere,  derrota  o rei visigodo Rodrigo.

Havia uma forte fragmentação de poder no reino visigodo, e os inimigos do rei, reconhecendo-o ilegítimo ao trono, solicitaram ajuda aos árabes para derrotar o monarca Rodrigo e ascender seu líder, Áquila, ao trono. Também existiam no reino visigodo muitos pagãos e judeus que eram perseguidos pelo rei visigodo que desejava converter-los ,a qualquer custo, ao Cristianismo.

Após os cercos militares de Tariq, a Espanha visigoda sucumbiu ao invasor e atestou o domínio árabe por meio de assinaturas de diversos tratados de rendição firmados por membros da antiga nobreza territorial visigoda, conselhos citadinos e, ocasionalmente , pelos próprios habitantes das cidades conquistadas. Esses documentos de rendição também traziam os novos compromissos jurídicos, políticos e fiscais das poluções de maioria moçárabe – ou “musta´rib”, termo usado  para designar os cristãos que habitavam terras de domínio muçulmano. Os moçárabes eram considerados arabizados, mas não  islamizados, em relação a seus novos senhores.

O mosaico social estabelecido na Península Ibérica a partir do século VIII, apresentava-se sob forma de grupos sociais, identificados por suas condições religiosas e espaços de ocupação: Os moçarabes, os muladis ou muwalladun (Cristão que abandonava o cristianismo, convertia-se ao Islã e vivia entre muçulmanos; Filho de um casamento misto cristão-muçulmano e de religião muçulmana; ou população de origem hispano-romana e visigótica que adotou a religião, a língua e os costumes do Islã para desfrutar dos mesmos direitos que os muçulmanos em Al-Andaluz); Mudejáres (habitantes muçulmanos convertidos ao cristianismo que habitavam territórios cristãos).

Os moçárabes e seus bens e propriedades eram protegidos de possíveis hostilidades advindas de povos de fronteira, dentre eles os berberes, através do estatuto social e jurídico árabe denominado “dhimmi”, assim, os moçárabes deveriam acatar a carga tributária chamada  “djizya” e outras cobranças de impostos locais para validar a “dhimmi”, ou seja, os direitos públicos e privados eram concedido aos moçárabes mediante a troca de compromisso por pagamento de imposto especial.

Os berberesmuladis”, também conversos ou descendentes de conversos ao islã, vistos sob condição social inferior– povo de origem do norte da África recrutado pelos árabes, entre os anos de 705 e 708, para compor as primeiras fileiras de guerra na invasão da Península Ibérica, entretanto, viviam insatisfeitos com a nova vida que levavam em terras européias, pois os  árabes os inferiorizavam por considerá-los fracamente islamizados, por isso, os governadores árabes , os “wali” , “omíadas”  de “Al-Andaluz” , sob ordens vindas de Damasco,  impuseram-lhes viver nas terras de fronteira montanhosa ( segundo Adele Ruquoi, 1995) ao sul, cordilheira Betica, ao norte, Galiza Meridional e na Bacia do Douro, ambas regiões de terra  pouco produtiva e bem distantes de cidades, centros de ocupação árabe,   como Servilha, Toledo, Córdova e Granada. Os berberes viviam  sob  condições marginais e de pobreza, por isso, logo começaram a pilhar e atacar as boas terras do “povo do livro”.

Outro pacto importante , que os árabes impuseram aos moçárabes, foi o  “Pacto de Omar” , ao final do século VIII, que  nos mostra a possibilidade de cristãos e judeus preservarem suas instituições religiosas, identidade e leis bases administrativas – lembrando que a estrutura das Igrejas  visigodas não foi alterada pela presença árabe. Assim, muitas dioceses mantiveram bens matérias e propriedades fundiárias, chegando a obter permissão de usufruto de bens e finanças do derrotado Reino visigodo – , porém, em contra partida,  estes povos conquistados estavam terminantemente proibidos de exercerem o proselitismo religioso, ou seja, tentar converter um muçulmano a religião de Israel. O Pacto de Omar (segundo Tritton apud Mantran, 1997) deixava bem claro os níveis de comportamento admitidos ou rejeitados pelo poder muçulmano na Península Ibérica sob risco de penalidades.

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